sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Ciência e Senso Comum: Duas Formas de Ver o Mundo

Os seres humanos vivem em um mundo que é ao mesmo tempo natural e social, ou seja, é formado pela natureza e pelas pessoas. Para viver melhor nesse mundo, as pessoas precisam entender como ele funciona. O conhecimento é a ferramenta que nos ajuda a entender o mundo e ele é produzido de várias maneiras diferentes.

Fonte da imagem: ABS Startups.

O senso comum é a primeira forma de produção do conhecimento utilizada pela humanidade. Ela se baseia nas experiências vividas no dia a dia pelas pessoas, nos costumes, nas tradições e nas opiniões que circulam na sociedade. Quando eu vejo que, ao preparar um chocolate quente, o leite transborda da leiteira quando ferve, eu construo um conhecimento sobre isso e esse é um conhecimento do senso comum. Ou então, se eu ando à noite em uma rua escura e deserta com o celular na mão e ele é roubado, construo a ideia de que andar distraído pode ser perigoso.

Fonte da imagem: História do Mundo.

O conhecimento do senso comum é produzido de forma espontânea, sem um estudo aprofundado ou uma metodologia específica para isso. Frases como “sempre foi assim” e “todo mundo sabe” estão intimamente relacionadas a ele. O senso comum é importante, porque ele orienta nossas ações cotidianas ou nos auxilia a responder a questões importantes e urgentes da nossa vida, que não nos permitem fazer uma reflexão mais aprofundada ou fazer uma experiência de laboratório ou uma pesquisa para decidir. Por exemplo, se quero preparar um chocolate quente, sei que preciso vigiar o leite para não sujar o fogão; quando estou com fome, não tenho como fazer cálculos físicos e medir a temperatura da água antes de colocar nela o macarrão que vamos comer; ou então, para me prevenir de um assalto ao sair hoje à noite na rua, não tenho como coletar dados sobre violência e a criminalidade do local por onde preciso andar.

Uma limitação do senso comum é que ele não questiona, não busca comprovação, nem investiga as causas mais profundas dos fenômenos. Desse modo, ele pode contribuir para a construção de generalizações antecipadas, de ideias equivocadas sobre a realidade e para a manutenção de preconceitos. Por exemplo, algumas pessoas podem imaginar que todos os moradores de favela são criminosos, porque algumas pessoas que moram nesses espaços cometem crimes.

A ciência, por sua vez, busca entender o mundo de maneira racional, ou seja, utilizando a razão, o pensamento e a reflexão. Ela é uma forma de produção de conhecimento metódica e sistemática, o que significa que funciona a partir do seguimento de um método específico e que os conhecimentos que produz se interligam, formando um sistema de pensamento. Por fim, a ciência é crítica, o que quer dizer que ela não aceita explicações prontas sem questionamento, mas investiga, testa hipóteses e pode mudar suas conclusões ao longo do tempo. Por exemplo, a Física busca entender que fenômenos físicos e químicos mudam o estado físico da matéria e descobriu que a água entra em ebulição quando atinge a temperatura de 100ºC ao nível do mar; a Sociologia entende que a criminalidade não é uma característica inerente a um indivíduo ou a uma população, mas observou que as desigualdades sociais podem levar alguns indivíduos a cometerem crimes; a Nutrição, por sua vez, entendia que o ovo era um alimento rico em colesterol e deveria ser evitado, mas agora o vê como uma importante fonte de proteína que deve ser consumida com moderação.

Fonte da imagem: Rádio Web UFPA.

Apesar dessas diferenças, é possível entender que o senso comum e a ciência não são sempre opostos, mas podem ser complementares. Muitas vezes, não temos tempo de recorrer ao conhecimento científico para resolver uma situação cotidiana e não são todos que têm acesso a ele. Nesses casos, o que nos ajuda a melhor agir no mundo, com a natureza e as outras pessoas, é o senso comum. Além disso, a ciência ainda não produziu respostas sobre todos os fenômenos naturais e humanos e o senso comum preenche possíveis vazios. Só temos que tomar cuidado com as suas generalizações, principalmente quando elas nos conduzem ao preconceito.

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