Na primeira década dos anos 2000, uma crise alimentar se abateu sobre o mundo todo, provocada pelo aumento do preço das commodities.

Fonte da imagem: Portal R7.
Esse aumento foi ocasionado por vários fatores dos quais destacaremos os seguintes:
- Aumento da demanda dos países emergentes: A China, a Índia e o Brasil, assim como outros países emergentes, passaram por um crescimento econômico que fez com que suas populações passassem a consumir mais alimentos. Além do efeito da lei da oferta e da procura, o deslocamento do uso dos grãos para a alimentação de animais criados para o fornecimento de carne elevou os preços do milho e da soja, por exemplo.
- Alta do preço do petróleo: A elevação do preço do barril de petróleo no período encareceu não só os combustíveis, essenciais para a movimentação das máquinas agrícolas e para o transporte de alimentos, como também os fertilizantes e outros insumos agrícolas.
- A ampliação do uso dos biocombustíveis: Com a elevação do preço do petróleo, os EUA e a Europa passaram a usar mais biocombustíveis, fazendo com que a maior parte das safras de milho e de soja, dentre outros grãos, que eram usadas para a alimentação, fossem deslocadas para a produção dessa alternativa energética. Com menos gêneros agrícolas direcionados à alimentação, o preço daqueles que ainda eram destinados a tal fim subiu.
![]() |
| Fonte da imagem: Agência FAPESP. |
- Mudanças climáticas: Alterações nos padrões de chuva e estiagem prejudicaram a produção agrícola. Houve seca na Austrália, grande produtora de trigo, e inundações nos EUA, grande produtor de milho e soja, o que provocou a escassez desses grãos, elevando seu preço.
- Especulação financeira: Com a crise do mercado imobiliário estadunidense em 2008 e a elevação do preço das commodities pelos motivos citados acima, os investidores passaram a buscá-las como alternativa às ações e às moedas, elevando ainda mais seu preço.
Os efeitos da crise alimentar de que falamos não afetam a todos igualmente. Países mais pobres da África, da Ásia e da América Latina sofrem mais, porque dependem da importação de commodities alimentícias e passaram a pagar mais pela aquisição do trigo, do arroz, do milho e de outros gêneros. Dentro dos países, as famílias mais pobres foram as mais afetadas, porque elas costumam gastar a maior parte da sua renda para a alimentação e não possuem condições de plantar a própria comida.
Na segunda década do século XXI, aos fatores que estudamos, juntou-se a pandemia da Covid-19, que prejudicou mais ainda a produção e a circulação de gêneros alimentícios, afetando negativamente a segurança alimentar da população mundial.
Como vimos, esses problemas estão relacionados à lógica capitalista. Na medida em que os alimentos são produzidos e negociados sobretudo como mercadorias, sua distribuição depende não apenas das necessidades humanas, mas da rentabilidade para o agronegócio, dos comerciantes e dos investidores. Assim, uma alta nos preços internacionais pode gerar lucros para alguns setores e, ao mesmo tempo, fome e insegurança alimentar para populações inteiras — sobretudo nos países mais pobres e entre as famílias de baixa renda.

Nenhum comentário:
Postar um comentário