Émile Durkheim (França, 1858 a 1917) é considerado fundador da Sociologia enquanto uma ciência autônoma e acadêmica, vindo a ser o primeiro professor universitário da disciplina. Foi ele o primeiro a delimitar um objeto e um método para a Sociologia (ou seja, aquilo que uma Ciência se propõe a estudar e a maneira que ela vai realizar esse estudo).
| Fonte da imagem: Portal Nova Escola. |
O objeto da Sociologia, para Durkheim, é o fato social, que é toda a forma de ser, de sentir, de agir e de pensar que é externa aos indivíduos, que é geral em uma dada sociedade e que exerce sobre cada indivíduo uma coerção social, o obrigando a ser, sentir, agir ou pensar daquela forma. Por exemplo, a língua portuguesa é um fato social. Quando nós nascemos, não sabemos falar e temos que aprender com outros membros da nossa sociedade, por isso que ela é externa. Apesar de existirem pessoas que não falam a língua portuguesa vivendo no Brasil, ela é a nossa língua oficial e a maioria das pessoas daqui a fala. Por fim, em uma comunicação cotidiana, quando falamos outra língua, podemos sofrer uma pressão dos nossos interlocutores para que utilizemos a língua portuguesa.
Durkheim
estava ligado à tradição positivista francesa, que valorizava muito as Ciências
Naturais e via a Biologia como a rainha das Ciências de seu tempo. Por isso,
ele defendeu a aplicação do método experimental das Ciências Naturais no estudo
da sociedade.
| Fonte da imagem: História do Mundo. |
Para Durkheim, a primeira regra do método sociológico é que o sociólogo deve considerar os fatos sociais como uma coisa, ou seja, como algo que não sofre interferência das opiniões, das crenças ou das vontades do cientista. Por isso, o sociólogo deve deixar de lado tudo o que pensa sobre a sociedade antes de estudá-la cientificamente por meio da Sociologia.
As
outras etapas da prática da Sociologia são: 1) a observação dos fenômenos na
realidade social; 2) a formulação de problemas e de hipóteses (ou seja, de
perguntas que nortearão as pesquisas e de respostas dadas a essas perguntas
antes das pesquisas propriamente ditas); 3) a realização de experiências
controladas para a comprovação ou não das hipóteses (no caso da Sociologia, as
experiências se dão por meio da pesquisa empírica e estatística, de acordo com
o método de Durkheim); 4) o estabelecimento de leis e generalizações a partir
da coleta de dados (ou seja, a explicação de fenômenos específicos, como os
suicídios de indivíduos singulares, pode ser generalizado para aquela categoria
de fenômenos, como o suicídio em geral); e 5) a formulação de teorias para a
explicação dos fenômenos sociais.
| Fonte da imagem: Jovem Pan. |
Para
Durkheim, todo o fenômeno social tem que ser explicado por outro fenômeno
social. Explicações psicológicas e biológicas devem ser descartadas pela
Sociologia porque elas são individuais, não coletivas. Por exemplo, o autor
explica o suicídio não por aquilo que é específico de cada ato suicida, mas por
aquilo que é comum a todos eles. Desse modo, o que leva os indivíduos ao
suicídio é sua maior ou menor integração à sociedade.
Segundo
o autor, cada prática social possui uma função na sociedade, portanto, tem
importância e significado. Por exemplo, a escola é importante porque transmite
às novas gerações os conhecimentos socialmente construídos. Em outras palavras,
sua função é a socialização dos indivíduos. A Sociologia deve, de acordo com
Durkheim, considerar as funções dos fenômenos sociais para cada sociedade, por
isso seu método é chamado de funcionalista.
Durkheim possuía uma visão organicista da sociedade, ou seja, ele considerava a sociedade como um verdadeiro organismo. Os indivíduos seriam as células da sociedade, que se combinam dando origem aos órgãos que são os grupos sociais (por exemplo, uma escola). Os grupos sociais se combinam formando os sistemas sociais (por exemplo, o sistema de ensino). Depois disso, é a junção de vários sistemas sociais (sistema de ensino, sistema econômico, sistema de ensino etc.) que origina a sociedade. Cada elemento do corpo social deve ser considerado em relação com a totalidade da sociedade.
Outro
ponto importante da perspectiva de Durkheim é a sua ênfase na coesão social. A
sociedade Europeia do século XIX, na qual o pai da Sociologia viveu, experienciava
uma série de problemas gerados pelas transformações sociais que marcaram o
surgimento e a consolidação do capitalismo como sistema dominante. Greves e
revoltas dos trabalhadores, aumento da violência e da criminalidade, ampliação
do individualismo, crescimento da rivalidade entre os países europeus. Tudo
isso trazia o sentimento de que a sociedade ocidental poderia se desintegrar a
qualquer momento. Por isso, Durkheim tentava entender as causas desses problemas
e propunha soluções que permitissem às sociedades se manterem unidas.
| Fonte da imagem: Correio do Minho. |
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