Karl Marx (Alemanha, 1818 a 1883) não era sociólogo, já que escreveu antes de Durkheim fundar a Sociologia. Ainda assim, ele influenciou muitos dos sociólogos que vieram depois dele e por isso é considerado um dos clássicos da Sociologia. Ele escreveu muitas obras em parceria com Friedrich Engels (Alemanha, 1820 a 1895), por isso muitas vezes os nomes dos dois autores são citados juntos.
| Fonte da imagem: Aventuras na História |
Para Marx e Engels, ao estudarmos uma sociedade, a primeira coisa que devemos observar é a maneira com que ela se organiza para produzir aquilo que seus membros precisam para sobreviver, ou seja, a sua produção econômica/material. Por isso, seu método é chamado de materialista.
De
acordo com os autores, desde o início da história humana, as relações de
produção dividem as sociedades entre aqueles que possuem tudo aquilo que é
necessário para realizar trabalho e produzir riqueza (os meios de produção) e
aqueles que não possuem essas coisas. Por isso, as sociedades se dividem em
proprietários e não proprietários dos meios de produção. Como não possuem as
condições de realizar trabalho e produzir riqueza, os não proprietários sempre
trabalham para os proprietários dos meios de produção. É por essa ideia da
divisão das sociedades em duas classes sociais principais que o método de Marx
e Engels é também chamado de dialético.
Na
Mesopotâmia e no Egito antigo vigorava o modo de produção asiático, no qual as
terras agricultáveis (o meio de produção) pertenciam ao Estado e eram geridas
pelas elites sacerdotais (classe proprietária), enquanto o restante da
sociedade (classe não proprietária) se relaciona com o Estado em regime de
servidão, trabalhando para ele em suas terras periodicamente. Na Grécia antiga
e em Roma, prevalecia o modo de produção escravista clássico, em que as terras
agricultáveis (o modo de produção) pertenciam aos eupátridas e aos patrícios,
respectivamente (classe proprietária), mas eram trabalhadas pelos escravizados
(classe não proprietária). Na Europa medieval vigia o modo de produção feudal,
no qual as terras agricultáveis pertenciam à nobreza (classe proprietária), mas
eram trabalhadas pelos servos (classe não proprietária). Por fim, na nossa
sociedade contemporânea, vigora o meio de produção capitalista, em que as
indústrias (o meio de produção), os estabelecimentos comerciais e os bancos
pertencem à burguesia (classe proprietária), enquanto neles trabalham os
operários ou proletários (classe não proprietária).
Para
Marx e Engels, a relação entre proprietários e não proprietários dos meios de
produção é sempre uma relação de exploração do homem pelo homem. Isso porque os
proprietários sempre vão buscar explorar mais os não proprietários, para tirar
melhor proveito de seu trabalho, enquanto os não proprietários sempre vão
resistir a essa exploração. Vemos aí uma divergência de interesses entre
proprietários e não proprietários. Essa divergência gera conflitos velados ou
abertos entre as duas classes que compõem as sociedades. Esses conflitos são
chamados de luta de classes. É a contradição gerada pela luta de classes que
promove a transformação social, levando à mudança de modo de produção e
propiciando o movimento da história humana.
| Fonte da imagem: Blog do Pedlowski. |
Uma das coisas que tem acontecido é que, por meio da luta de classes, a classe não proprietária suplanta a proprietária se tornando ela mesma classe proprietária e dominante. Assim, foi a contradição entre senhores e escravizados, no período em que o Império Romano parou de se expandir e de capturar novos trabalhadores, a insegurança gerada pelas invasões bárbaras que provocou a queda de Roma e a ascensão do feudalismo. Por sua vez, a ascensão de uma classe social de comerciantes que não possuíam terras (a burguesia) e o conflito dessa classe com os senhores feudais que provocou ruína do feudalismo e o surgimento do capitalismo. É por essa abordagem histórica que o método de análise de Marx e Engels também é chamado de histórico.
De
acordo com os autores, os proletários são a classe não proprietária mais
explorada de todas, por isso, ela vai se organizar, tomar o controle dos meios
de produção e extinguir a própria divisão da sociedade em classes sociais,
compartilhando as fábricas, os estabelecimentos comerciais e os bancos com toda
a sociedade. Se todos serão donos dos meios de produção, não haverá mais a
divisão entre proprietários e não proprietários, logo, não haverá mais classes
sociais.
Marx e Engels ensinavam que as sociedades são formadas por uma base material e econômica, que é a maneira pela qual elas se organizam para produzir aquilo que precisam para seus membros sobreviverem (a estrutura), e por um conjunto de sistemas políticos, jurídicos, religiosos, filosóficos e científicos, dentre outros (a superestrutura). A superestrutura sempre está de acordo com a estrutura, por tê-la como base. Uma mudança na estrutura provoca sempre uma mudança na superestrutura e, quando a estrutura e a superestrutura se transformam, temos uma mudança no tipo de sociedade, que é o modo de produção.
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